E se além de cortar em coisas como o tabaco, as gorduras ou o açúcar, a humanidade, ajudada pelo progresso científico, cortasse também no tamanho? Esta é a premissa de ficção científica de Pequena Grande Vida, o novo filme de Alexander Payne (Os Descendentes, Nebraska).
Um grupo de cientistas noruegueses descobriu a maneira de reduzir os seres humanos (e muitos animais) para 0,0364% da sua massa e volume. Esta espantosa descoberta poderá contribuir para resolver problemas da humanidade como o excesso de população, a poluição ou a falta de recursos naturais. Começam então a surgir por todo o lado comunidades povoadas por pessoas que foram reduzidas e começaram uma nova vida, agora em miniatura, sozinhas, em família, ou com os seus amigos e os vizinhos.
Uma dessas pessoas é Paul Safranek (Matt Damon), um terapeuta ocupacional que passa a viver em versão reduzida na endinheirada comunidade de Leisureland, embora sem a mulher, Audrey (Kristen Wiig). Esta entrou em pânico à última hora, não foi reduzida e deixou o marido sozinho no novo mundo, pedindo logo a seguir o divórcio.
Alexander Payne parece ir fazer uma sátira social, mostrando que as pessoas, mesmo diminuindo de tamanho, levam sempre consigo os seus problemas, defeitos e preconceitos, mas acaba por tornar Pequena Grande Vida numa entediante, previsível e moralizante história humanista, que tanto faz passar-se num mundo em miniatura ou no nosso. Damon é, como sempre, monótono, e só Christoph Waltz sobressai no vizinho bon vivant, cínico e oportunista de Paul.
Por Eurico de Barros